"A dificuldade de alguns capoeiristas em respeitar a participação feminina"


Loading...
 
Entre em contato conosco!
Confira nossa agenda! Veja nosso albúm de fotos! Veja nossa galeria de vídeos!

"A dificuldade de alguns capoeiristas em respeitar a participação feminina"


Eu Erica (Mariposa)
Venho, através desta, declarar todo meu repúdio e indignação com relação ao que aconteceu neste fim de semana.
Fui convidada a participar de um evento feminino de capoeira, para dar uma palestra sobre meu trabalho de monografia “A mulher na Capoeira” e passar uma vivência prática para homens e mulheres em Taubaté, interior de São Paulo.
Seria um fim de semana maravilhoso, pois a palestra rendeu ricas discussões sobre a atuação e a emacipação da mulher na capoeira e na sociedade atual. A oficina também foi muito agradável e me senti muito acolhida pelos organizadores e participantes do evento.
Entretanto, faltando 20 minutos para o término do evento, que ocorreu no SESC Taubaté, aconteceu a roda com todos os presentes: mulheres, homens, crianças, educadores e mestres.
Nesta roda ficou ilustrado tudo aquilo que questionamos no bate-papo sobre o preconceito, a violência contra a mulher e a dificuldade de alguns capoeiristas em respeitar a participação feminina.
Fiz um único jogo nesta roda, que estava num andamento muito tranquilo. Escolhi (como sempre escolho) alguém que julguei ser um parceiro de jogo: o “mestre” supervisor daquele trabalho tão simpático de Taubaté, cujo nome é Cesar e reside em Juiz de Fora com seu grupo Associação Cultural Palmares.
Entrei na roda para desenvolver um jogo de capoeira, fui surpreendida com um martelo muito forte no braço, estranhei, mas continuei no jogo até o momento em que minha vista escureceu. Tentei, ingenuamente, meio tonta e sem entender o que aconteceu, dar a volta ao mundo, mas caminhei atordoada sem direção.
Senti o sangue correr de meu nariz, mas só me dei conta do ocorrido quando já estava sentada, e o Curió pedindo para me acalmar, enquanto “trazia o meu nariz pro lugar”.
Fiquei sabendo pelos que estavam presentes, que o berimbau baixou na roda e mestre Lobão tentou me tirar daquele ringue, e quando eu parei, recebi uma cabeçada (estilo MMM/vale tudo) no rosto, do modo mais covarde possível.
Até agora não sei o motivo da agressão, mas tenho a sensação (pois foi o que eu consegui ler nas entrelinhas) de que incomodei.
Incomodei, por discordar da colocação do tal “mestre” de que a mulher ainda não tem a posição do homem na capoeira por causa de preguiça e falta de atitude, que as alunas ficam esperando que o mestre as pegue pela mão.
Incomodei, por discordar (dele também) que a única diferença entre o homem e a mulher é a força física.
Incomodei, por estar num espaço ainda machista, falando da atuação da mulher.
E, enfim, incomodei porque aquele cidadão não ocupou seu lugar preferido naquela tarde, o lugar de autoritarismo inquestionável, o locus da atenção exclusiva dos mestres presentes.
Neste sábado, passei algumas horas no Pronto Socorro Municipal de Taubaté. Neste tempo, não consegui nenhuma explicação para o ocorrido, mas minha principal preocupação era chegar em casa e explicar para minhas filhas o que tinha acontecido, mostrar aos meus pais um rosto inchado, roxo e o nariz (novamente) deformado.
Eu não imaginaria que nesta data, a essa altura de minha vida pessoal e profissional, eu tivesse que vivenciar novamente uma situação dessa, tão comum aos anos 80 e 90, e que a gente vem combatendo a cada evento, a cada roda, a cada gingado…
Fica a minha indignação compartilhada. Que esse acontecimento seja divulgado e que sirva como instrumento de reflexão e objeto de repúdio e perplexidade, para que esses “monstros” da capoeira sejam banidos de nossos eventos e da nossa Capoeira.
Mariposa.

 

 





www.falapovo.com - notícias que realmente interessam - reprodução autorizada com citação da fonte
Desenvolvido por Real Comunicação2013