Edsandra José Herculano, 29 anos com sua bebê Eduarda e Rafaela de 5 anos. Chegou da maternidade com Eduarda neste domingo. Edsandra é diarista e seu companheiro vigia. Desde que sua família foi jogada na rua pela canetada do juiz, os filhos de 13, 11 e 8 anos foram mandados para a casa da vó. Ela, o companheiro e agora duas menores continuam sob a lona que ferve em dia de sol, congela nos dias frios e não abriga da chuva.
Eduarda não é o único bebê. na foto à direita, , Vitória que nasceu na ocupação e passou pelo despejo com sua mãe, Kátia Gonçalves Bandeira.

Outra brasileirinha acampada é a pequena Rayanni, 2 meses, filha da Crislaine Gabriel à esquerda.
Finalmente depois de 30 dias acampados, sujeitados a todo tipo de violações, nas calçadas da rica cidade de São Paulo, a secretaria da Habitação nos chamou para uma reunião, onde esperamos discutir uma solução habitacional para resolver a grave situação das famílias. Será nesta segunda-feira, 1º de Outubro, às 16 horas, com Nanci Cavalette Diretora de Habi-Centro. Rua São Bento 495 – 11º.
Têm sido noites e noites dormindo na rua e a prefeitura calada. Mas a solidariedade que temos recebido emociona e encoraja. As doações tem ajudado a nos manter e a solidariedade coloca nosso espinhaço de pé, restaura a dignidade de quem foi jogado na rua com seus filhos. Restaura as forças pra lutar por nosso direito de morar. Trabalhamos, pagamos impostos e temos direitos. Não queremos morar de graça, queremos programas habitacionais com prestações que sejam compatíveis com os salários pagos aos trabalhadores que constroem esta cidade e o país. Queremos atitude dos administradores desta cidade. Estamos aqui na calçada enquanto inúmeros prédios ficam vazios por 5, 10, 20, 30 anos. Seus “donos” nem o IPTU pagam, ficam esperando o melhor momento para negociar e ganhar muito dinheiro. Moradia é direito garantido na Constituição.
Por parte da prefeitura, até o momento, só pressão da GCM. E a Secretaria Municipal da habitação está bem à nossa frente. Frio e garoa. Lona e madeirite é a política habitacional para os pobres de São Paulo. Trabalhadores que constroem esta cidade com o suor de seus rostos mas têm renda menor que três salários mínimos, alguns nem dois. Dar comida aos filhos ou pagar aluguel?
As famílias sem-teto da Ocupação Ipiranga, 908, foram colocadas na rua dia 28/08. O prédio esteve abandonado por mais de 5 anos.
Em reunião dia 27/08, com representantes da Secretaria Municipal da Habitação, SEHAB/COHAB a única promessa era fazer cadastramento das famílias e vagas em albergues. Levar as famílias para albergues seria tirar as crianças da escola e seus pais dos empregos, é retroceder na dignidade humana conquistada por estas famílias. Nem aos menos a providência de um alojamento para abrigar as famílias para impedir que elas fiquem ao relento e protegê-las de todo tipo de violência que estarão expostas na rua foi oferecido.
Osmar Silva Borges – Coordenador da FLM – telefone: 11 9 83028197
CARTA ABERTA
QUE TRISTEZA
O Judiciário ordena que as forças armadas joguem na rua famílias sem-teto. E os governantes assistindo de camarote a violação dos direitos das crianças, mulheres, idosos e adultos.
São 217 famílias hoje residentes na Av. Ipiranga, 908, e Av. São João 588, prédios antes abandonados. Todos esses pais e mães de família já estão trabalhando e têm os filhos na escola, nas imediações.
Serão obrigados pela força a desocupar propriedade totalmente fora da lei. Não cumprem a função social. Seus pretensos proprietários não exercem o domínio definido pelo Código Civil. Desrespeitam o meio ambiente e mesmo assim, vergonhosamente o Judiciário e demais autoridades protegem os fora da lei.
Por outro lado, o direito das crianças, dos idosos, mulheres, trabalhadores que constroem essa cidade com o suor de seus rostos está sendo violentamente desrespeitado. Não se observa princípios elementares de nosso Estado Democrático de Direito, como a dignidade da pessoa humana, a proteção da criança, o direito à moradia, conquistas da civilização moderna. E joga-se ao relento as famílias.
Não aceitamos esses desmandos ilegais. Precisamos restabelecer a ordem de respeito às pessoas. Queremos continuar morando onde estamos. Caso contrário vamos nos acomodar no meio da rua.
FRENTE DE LUTA POR MORADIA
Osmar Silva Borges – Coordenador da FLM – telefone: 11 9 83028197