A única meta referente aos moradores de rua foi retirada do Plano de metas de Prefeitura


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A única meta referente aos moradores de rua foi retirada do Plano de metas de Prefeitura

 

 

“Hoje passei com Jesus pelas ruas onde eu caminhava olhando para o chão procurando por pedra de crack.” Gilvam

 Nesta Sexta feira Santa, mais uma vez aconteceu a Via Sacra do Povo da Rua, organizada pelas entidades que trabalham diariamente com esta população nas ruas da cidade de São Paulo.

Na passagem pela Cracolândia é possível perceber que o número diminuiu um pouco, mas a situação continua dramática. Segundo Padre Gian Pietro, da Missão Belém, atualmente cerca de 400 dependentes estão em tratamento, em torno de 1700 já passaram pela entidade. 

A notícia preocupante foi dada pelo Pe. Júlio Lancellotti. Segundo ele, apesar de haver algumas proposições na nova administração, a única meta relacionada à população em situação de rua,  sobre os Centros de Atenção e Referência, foi retirada  do Plano de Metas, apresentado pelo Prefeito Fernando Haddad, para os quatro anos de sua gestão. “Atualmente a rede de CAPS - Centros de Atenção Psicossocial, conta com 25 unidades, precisamos dobrar o número desses equipamentos com urgência, a cidade de São Paulo carece de pelos menos 50 CAPS, e precisamos de políticas articuladas entre as esferas de governo”. Afirma Pe. Júlio.

 Sebastião Nicomedes, morou nas ruas por oito anos, saiu em 2007, foi membro do Comitê Inter-setorial do Movimento Nacional da População de Rua, hoje é artesão e jardineiro. Ele afirma que depois de um ano morando na rua, passando por longos períodos de fome, a pessoa começa a enlouquecer e que para se reencontrar pode levar ao menos dois anos e outros dois para aprender uma profissão, voltar a lidar com dinheiro, se socializar. Sebastião elogiou a atitude da prefeitura que decretou a desapropriação do terreno da Zona Leste,  de onde  800  famílias seriam retiradas, na semana passada. “Dá pra perceber que agora está havendo diálogo. Se aquelas famílias fossem retiradas do terreno pelo menos 20 delas iriam para as ruas, seriam mais 100 pessoas nas ruas de São Paulo.” Sebastião Nicomedes estima que, se não fossem as inúmeras ocupações de prédios abandonados, a cidade teria em torno de 50 mil de pessoas morando nas ruas. Atualmente os números oficiais falam em 15 mil, mas de fato seria por volta de 20 mil. Para se ter uma idéia, cerca de 70% dos municípios do Estado de São Paulo têm menos de 20 mil habitantes, ou seja dentro do município de São Paulo existe um município de moradores de rua.

 Durante o trajeto muitos relatos: Violência, descaso, abandono da família,  a espera por um simples gesto, a dificuldade de reconquistar a família, discriminação, a recusa nos empregos de quem mora em albergue, a falta de  cruzamento  de dados das pessoas desaparecidas com os enterrados como indigentes, e muitos outros.

 Mas também muita emoção: “Hoje passei com Jesus pelas ruas onde eu caminhava olhando

para o chão procurando por pedra de crack.” Gilvam

 O Cardeal Dom Odilo Scherer  disse para as mais de dez entidades que trabalham com população em situação de rua na cidade de São Paulo que  continuem sendo sinal de vida e de esperança”

Enquanto D. Odilo falava alguém gritou: “O povo da rua precisa de uma nova guarda municipal!”

 A Via Sacra do Povo da Rua, 2013, saiu da porta da Sala São Paulo, caminhou pela Cracolândia e terminou no Parque da Luz, em frente ao Cratod – Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas).

 





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