ALDEIA MARACANÃ GANHA MAIS DEZ DIAS DE PRAZO


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ALDEIA MARACANÃ GANHA MAIS DEZ DIAS DE PRAZO

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou na quinta-feira,17/01/2012, que a União tem dez dias para se manifestar sobre o recurso do Ministério Público Federal que busca impedir a demolição do prédio e a retirada dos ocupantes do Museu do Índio.

 No prédio do antigo Museu do Índio, no Rio de Janeiro cerca de 300 pessoas – indígenas em sua maioria – convivem desde sábado (12) com a possibilidade de que a reintegração de posse do terreno seja determinada a qualquer momento pela Justiça. Em completo estado de abandono há décadas e ocupado há sete anos por indígenas de diversas etnias que ali fundaram a Aldeia Maracanã, o prédio tem grande valor histórico, mas, de acordo com o projeto de reforma do Maracanã com vistas à Copa do Mundo de 2014, deverá ser demolido para dar lugar a um shopping center e a um estacionamento.

"Todas as copas do mundo daqui pra frente serão amaldicçoadas se eles derrubarem este espaço público!" Silvio Tendler sobre Museu do ìndio - RJ. Ele escreveu uma carta enderaçada ao Governador Sérgio Cabral e à Presidenta Dilma Roussef, em que pede que eles fiquem ao lado do povo e e rejeitem as pressões da FIFA e dos especuladores imobiliários que querem destruir o Museu do Indio, sede da Aldeia Maracanã.

 

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Importância histórica

Rede Brasil Atual

Uma das estudantes que está pernoitando na Aldeia Maracanã para ajudar na resistência à reintegração de posse, Mônica Bello ressalta a importância histórica do prédio, erguido em 1865 pelo Duque de Saxe, seu primeiro proprietário. Décadas mais tarde, ali passou a funcionar o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), comandado pelo Marechal Cândido Rondon. Em 1953, o antropólogo Darcy Ribeiro conseguiu realizar o sonho de ali montar o primeiro Museu do Índio da América Latina. “Esse prédio é um símbolo dos indígenas brasileiros. Deveria ser valorizado como tal pelas autoridades e reformado e revitalizado, ao invés de demolido. Poderia ser utilizado inclusive como atração turística durante a Copa do Mundo”, diz.

 

Mônica lembra que existe até mesmo um projeto de reforma do prédio elaborado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mas ignorado pelo poder público. Ela ressalta as possibilidades de uma eventual revitalização do local, com a realização de cursos e atividades culturais, a construção de um restaurante de culinária indígena e um mirante na torre do prédio. Outro objetivo é criar no terreno a primeira Universidade Indígena do Brasil, que serviria também como uma espécie de embaixada para os indígenas que chegarem ao Rio de Janeiro.

Atualmente, segundo José Guajajara, existem 150 indígenas registrados como moradores da Aldeia Maracanã e 80 que lá se encontram de fato atualmente. Com a ameaça de reintegração de posse e a chegada de outros indígenas e estudantes, no entanto, a população no antigo Museu do Índio chegou a 300 pessoas nestes últimos dias: “Quando ameaçaram invadir no sábado, resistimos com 600 pessoas”, calcula o líder indígena.


 





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